Lock-in em cloud computing

A preocupação com o Lock-in na tecnologia sempre vem à tona, quando um novo fornecedor de serviço com um modelo disruptivo entra em atuação no mercado. E em Cloud Computing, isso não poderia ser diferente.

Apesar de Cloud Computing, ser uma tecnologia com muitos anos de estrada, no Brasil ela vem ganhando cada vez mais espaço e a consequência disso é o surgimento do famoso Lock-in.

Como evitar o Lock-in?

Acredito que o Lock-in você não evita, mas aceita. Entretanto, deve aceitar, criando alternativas para diminuir ao máximo o Lock-in.

Abaixo estão listados alguns tipos de Lock-in:

  • Vendor lock-in: este é o tipo de lock-in mais famoso e compreende a dificuldade na mudança do fornecedor;
  • Product Lock-in: geralmente produtos Open Source, ajudam a evitar este lock-in, porém podem acabar criando outro lock-in, quando disponibilizam APIs exclusivas (exemplo: kubernetes);
  • Version lock-in: é o bloqueio fixado a uma versão específica de um produto. Geralmente um upgrade de versão acarreta este tipo de lock-in;
  • Architecture lock-in: aqui um bom exemplo é o uso excessivo de um componente, o que acaba impedindo a saída para um outro produto. Um bom exemplo é migrar de kubernetes para um ambiente serverless;
  • Platform lock-in: aqui temos as plataforma milagrosas que implementam tudo: gestão de usuário, gestão de configuração, gestão da aplicação, ambiente para a execução de aplicações. Apesar de disponibilizarem uma grande quantidade de recursos, na grande maioria das vezes são componentes exclusivos de um único fornecedor;
  • Skills lock-in: aqui temos o conhecimento técnico do time. Mudar a solução, irá requerer alto investimento em tempo e recursos financeiros para capacitar as pessoas;
  • Legal lock-in: geralmente está associado a questões legais e/ou aspectos jurídicos;
  • Mental lock-in: é o tipo mais perigoso de lock-in, já que afeta o pensamento das pessoas.

Como podemos ver, não existe uma fórmula exata para trabalhar com questões relacionadas ao Lock-in. Por isso, minha visão é que o Lock-in precisa ser aceito, criando alternativas para diminuí-lo e também alternativas para uma possível saída.

Um bom exemplo seria buscar alternativas e tentar entender o esforço necessário (tempo e dinheiro) para migrar do fornecedor A para o B ou da solução A para a solução B. Ao fazer estes estudos, as possibilidades ficam mais claras e uma estratégia de saída começa a se tornar viável e desenhada, em caso de necessidade.

Quando estamos atuando com Cloud Computing, um grande Lock-in é a retirada dos dados. Tecnologias que os provedores de Cloud Computing disponibilizam, são semelhantes em sua maioria. Isso significa que há um produto ou serviço semelhante entre os provedores.

Agora a retirada dos dados é um fator fundamental e que precisa ser gerenciado 100% do tempo. Logo, a retirada dos dados é um Lock-in que precisa ser aceito, porém com soluções para tratá-lo.

Gregor Hohpe, em um artigo muito bem detalhado sobre o tema de Lock-in, publicado no site: https://martinfowler.com/articles/oss-lockin.html exemplifica muito bem esse tema.

Ele criou uma matriz, que descreve as nossas escolhas ao longo de dois eixos: Custo de troca X Utilidade única.

A unique product feature doesn’t always translate into unique utility for you.Gregor Hohpe

Em muitas situações, ficamos presos e gastamos horas e mais horas, tentando evitar o Lock-in. Resultado: perda de dinheiro.

Em alguns casos para evitar o Lock-in, decidimos não utilizar algumas funcionalidades que um software fornece, fazendo com que subutilizemos o mesmo. Resultado: perda de dinheiro.

Em outros casos, surgem soluções mirabolantes ou camadas adicionais. Resultado: perda de dinheiro.

A consequência do esforço para evitar o Lock-in tem como consequência um novo Lock-in. Pense nisso!

Imagem do post: https://blog.ipleaders.in/what-is-a-lock-in-clau

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